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Guia da carreira · Defensoria Pública

Concurso defensoria: como se entra na carreira de defensor

A Defensoria Pública é a instituição que a Constituição incumbe da orientação jurídica, da promoção dos direitos humanos e da defesa dos direitos individuais e coletivos de quem não pode pagar por ela, em todos os graus, no processo e fora dele.

3 anos de atividade jurídica
exigidos para se inscrever num concurso de Defensoria
Vídeo: as principais oportunidades na carreira de Defensoria Pública Assistir no YouTube

Principais oportunidades para Defensoria Pública, com o professor Daniel Mesquita. Abrir no canal da CP Iuris.

Entra-se nela por um caminho só: o concurso de ingresso na carreira de Defensor Público, aberto separadamente por cada Defensoria estadual, pela do Distrito Federal e pela Defensoria Pública da União.

Aqui a gente reúne o que se repete em toda edição desse concurso: o que o defensor faz, o que separa a carreira do promotor e do juiz, quem pode se inscrever, as fases, o que cai, quem elabora a prova, o que muda de uma Defensoria para outra e como estudar.

Data de inscrição, número de vagas, banca contratada, etapa corrente do certame e valor de subsídio vigente a gente não carrega. Isso muda a cada edital e mora no site da própria Defensoria, é lá que você confere.

Para o detalhe de cada uma, as páginas de DPE-SP e da DPU abrem o que é delas.

O que faz um defensor público?

O defensor público defende, em todos os graus e em juízo ou fora dele, os direitos de quem não pode pagar por um advogado. É o que o art. 134 da Constituição incumbe à instituição, junto com a orientação jurídica e a promoção dos direitos humanos.

Na prática, o escopo é bem mais largo do que a maioria imagina. A atuação alcança:

  • idosos e hipossuficientes de maneira geral
  • vítimas de violência doméstica
  • crianças que precisam de vaga em creche
  • pessoas que precisam de um leito de UTI

Dentro do criminal, a Defensoria atua no Tribunal do Júri, nos juizados especiais criminais, nos juizados de violência doméstica e familiar contra a mulher e nas varas de entorpecentes, e os defensores mais antigos da carreira atuam também na segunda instância e nos tribunais superiores. Fora do criminal, a gama é igualmente grande: cível, família e tutela coletiva, essa última ganhando força a cada ano.

E tem o mal-entendido que mais aparece: o apelido de "defesa do bandido". Como coloca o professor Daniel Mesquita, defensor público, numa live de julho de 2025:

Às vezes a defesa de um acusado numa atuação criminal vira aquele linguajar popular de a defesa do bandido. Mas isso é absurdamente errado, pessoal. Primeiramente, nós temos a presunção de inocência.

Sem defesa técnica não existe processo. É essa a função que a Constituição garante a quem não pode contratá-la.

Defensor, promotor ou juiz: o que muda?

Defensor, promotor e juiz ocupam posições diferentes no mesmo processo, e as três carreiras estão no mesmo patamar constitucional. O art. 134 põe a Defensoria como instituição permanente e essencial à função jurisdicional, ao lado da magistratura, do Ministério Público e da Advocacia Pública.

Só que, para quem ainda está decidindo, o eixo que mais pesa não é esse. É o do estudo.

O seu estudo da Defensoria Pública vai ser muito, muito, muito, muito aproveitado para a magistratura e também até para o Ministério Público. A base é a mesma. Abrir uma segunda frente não joga fora o que você já fez.

A conciliação mais difícil é com a Advocacia Pública, que puxa para outro conjunto de matérias.

O que não se aproveita é o núcleo próprio da Defensoria: princípios institucionais, direitos humanos, execução penal e criminologia. É esse bloco que a seção do programa destrincha.

Percentual de sobreposição entre editais a gente não publica. Esse número não existe em fonte que a gente possa conferir, e chutar uma porcentagem seria pior do que não responder.

Se você chegou aqui vindo de outra carreira, o caminho de cada uma está nas páginas de magistratura estadual, magistratura federal e delegado.

Quais Defensorias abrem concurso?

Cada Defensoria abre o próprio concurso, em calendário próprio: as estaduais, a do Distrito Federal e, como esfera à parte, a Defensoria Pública da União.

Um concurso de Defensoria não começa no edital. Ele avança por estágios que a carreira nomeia sempre do mesmo jeito, nesta ordem:

Comissão formada
o órgão já tem quem conduza o certame.
Regulamento publicado
as regras daquele concurso já estão de pé.
Edital publicado
o certame abre.
Provas em curso
as fases estão acontecendo.
Validade a expirar
o concurso anterior chega ao fim do ciclo.

Com esse vocabulário você lê o painel de qualquer ano sem depender de ninguém. Quando alguém disser que uma Defensoria está com comissão formada, você já sabe que ela ainda não publicou regulamento nem edital. E que ainda dá tempo de estudar.

O último estágio explica por que o mapa nunca esvazia. Nós temos algumas possibilidades de concursos que já estão se encerrando, mas o órgão já está precisando de mais membros, de mais defensores e defensoras, então o concurso acaba e muitas vezes já se torna necessário realizar outro.

Por isso é comum haver vários certames convivendo no mesmo semestre. Em agosto de 2023, comentando o edital do Espírito Santo, a professora Michelle Tonon abriu a live emendando três estaduais seguidos, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, um atrás do outro.

É o que faz valer a pena estudar para a carreira, e não para um edital. Quem se prepara para uma Defensoria está se preparando para as outras.

Em que estágio cada órgão está hoje, com qual banca e quantas vagas, a gente não publica. Isso muda de semana em semana e envelhece pior do que qualquer outra parte desta página. Quem quiser o estágio de um certame lê o edital e o regulamento no site da própria Defensoria.

Para a carreira em São Paulo e para a esfera federal, as páginas de DPE-SP e da DPU aprofundam o que é de cada uma.

Quem pode prestar o concurso?

Para se inscrever num concurso de Defensoria a régua é a mesma em toda edição:

Ser brasileiro ou português, com os direitos correspondentes.
Ser bacharel em direito, com o diploma concluído.
Estar em dia com as obrigações militares.
Estar no gozo dos direitos políticos.
Ter três anos de atividade jurídica devidamente comprovados.

O quinto item é o que mais trava candidato. E a primeira pergunta é sempre a mesma: de quando esses três anos começam a correr?

Da obtenção do grau de bacharel em direito: é depois da colação de grau, não conta o período em que você fez estágios. Quem colou grau há um ano e meio tem um ano e meio de contagem possível, e nada além disso.

Depois da formatura a régua é outra. O estágio de pós-graduação na própria Defensoria conta como prática jurídica, e a pós-graduação devidamente certificada, em curso autorizado pelo MEC, também entra.

Repare que a palavra "estágio" aparece dos dois lados da colação de grau, e significa coisas diferentes em cada um. É aí que a maioria se perde.

O rol do que conta é mais largo do que parece:

  • advocacia, inclusive a voluntária, com participação anual mínima em atos privativos de advogado em causas distintas
  • cargos, empregos e funções privativos de bacharel em direito
  • residência jurídica
  • estágio de pós-graduação na Defensoria e pós-graduação devidamente certificada
  • magistério superior jurídico
  • conciliação, mediação e arbitragem, com carga mínima
  • serviço voluntário ou colaboração na própria Defensoria

E há o detalhe que muda tudo para quem ainda não completou o tempo: em alguns órgãos a comprovação é cobrada só na posse e entrada em exercício. Ou seja, você pode adquirir os três anos de prática ao longo da vigência do concurso, então vale a pena você que também já está estudando, ainda não completou os três anos de prática, mas vai completar ao longo das etapas do concurso, faça.

Editais de Defensoria também trazem reserva de vagas. Os percentuais e as categorias são definidos em cada edital, e é lá que você confere os do seu.

Quem define o rol que vale no seu caso é o edital do órgão. Comece por ele, sempre.

Quais são as fases do concurso?

O concurso de Defensoria tem três fases eliminatórias na forma canônica:

Objetiva
múltipla escolha, com o programa inteiro em jogo.
Discursiva
questões dissertativas mais uma peça processual, normalmente organizadas por blocos de matérias.
Sindicância de vida pregressa
o órgão apura a vida pregressa de quem chegou até ali.
Oral
arguição diante da banca.
Títulos
fecha o certame e não elimina ninguém.

Em alguns concursos nós temos também prova de tribuna, que vai ali simular geralmente uma sustentação no tribunal do júri, mas de regra são essas três fases, objetiva, subjetiva, discursiva, provas escritas e a prova oral. A tribuna é o ponto que mais varia: há Defensoria estadual que não a aplica.

Entre as provas discursivas e a oral entra ainda a sindicância de vida pregressa, em que o órgão apura a vida pregressa de quem chegou até ali. Ela vem antes da arguição. O que cada órgão pede de documentação nessa etapa está no edital dele.

Depois da oral vem a avaliação de títulos, que não é uma fase eliminatória, é só uma fase classificatória. A cauda completa encadeia segunda fase, sindicância, sustentação oral, títulos e inscrição definitiva. É um percurso longo, que costuma se estender por muitos meses.

Duas coisas para saber antes de começar:

  • A prova é longa. Nas análises de edital que a gente acompanhou, a objetiva e cada discursiva levaram de quatro a cinco horas.
  • O concurso vale dois anos, prorrogáveis por mais dois. É esse prazo que dá fôlego a quem se inscreve sem ter os três anos completos.

Sobre a cláusula de barreira: ela corta por posição na objetiva, não por nota mínima. Por certo que não vai ser suficiente você responder metade da prova, você vai ter que fazer aí bem mais do que 50%, a nota de corte provavelmente vai vir num patamar bem mais elevado do que 50%.

Vídeo: dúvidas sobre concursos de Defensorias, com a coordenadora dos cursos Assistir no YouTube

Pergunte à coordenadora: dúvidas sobre concursos de Defensorias, com a professora Michelle Tonon. Abrir no canal da CP Iuris.

O que cai na prova de Defensoria?

Três disciplinas separam a prova de Defensoria de qualquer outra carreira jurídica. É preciso conhecer bem execução penal, criminologia e direitos humanos, e com profundidade, não de passagem.

Em torno delas orbita o resto do núcleo próprio da instituição:

  • princípios institucionais e legislação específica da Defensoria Pública
  • direito da criança e do adolescente
  • direitos difusos e coletivos
  • direitos humanos das pessoas em situação de vulnerabilidade

O resto é o tronco comum de qualquer concurso jurídico: constitucional, administrativo, civil, processo civil, penal, processo penal, empresarial. E nele há uma regularidade que a professora Michelle Tonon trata como aposta, porque crimes contra o patrimônio são os crimes de maior incidência na prática penal e segundo os estudos que a gente faz das provas anteriores são os crimes que mais caem nas provas então furto e roubo em todas as provas praticamente você terá ao menos ali um itenzinho constando que foi cobrado o crime contra o patrimônio, porque é isso o dia a dia quem atua em vara criminal sabe.

O que amarra tudo é o formato. A prova busca selecionar candidatos com perfil defensorial: quem conhece as teses da instituição e o dia a dia de quem atende o assistido. Não é prova de decorar artigo, é prova de resolver o caso do lado de quem precisa.

Quem elabora a prova da Defensoria?

Dizer "a banca do concurso de Defensoria é a empresa X" costuma estar errado, e o erro tem consequência prática.

Há Defensoria em que a prova é elaborada pela própria instituição, o que se chama de banca própria, e a empresa contratada presta apoio operacional, cuidando de logística e aplicação. O mesmo arranjo aparece com outra organizadora em outro estado, o que mostra que ele é do modelo e não da empresa.

Para quem estuda, a pergunta certa não é qual empresa assina o edital. É quem escreve as questões.

Quando a banca é própria, quem monta a prova são defensoras e defensores da carreira, e o perfil da prova puxa para a prática da instituição. Quando a elaboração é de uma organizadora contratada, o estilo dela pesa mais, mas menos do que pesava.

E essa diferença vem encolhendo. As instituições contratantes passaram a exigir provas com cara de prática defensorial, então o aproveitamento do estudo de uma Defensoria para outra é bem maior do que a troca de sigla sugere.

Qual arranjo vale em cada certame está no edital do próprio órgão. A gente não publica aqui qual empresa foi contratada em qual edição, porque isso muda a cada edital.
Vídeo: análise de um edital de Defensoria estadual, com a coordenadora dos cursos Assistir no YouTube

Análise de edital de Defensoria estadual, com a professora Michelle Tonon. Abrir no canal da CP Iuris.

Quanto ganha um defensor público?

Remuneração de Defensoria anda junto com a das carreiras vizinhas. É como coloca o professor Daniel Mesquita, defensor público, em julho de 2025:

A Defensoria Pública tem conseguido remunerações muito parelhas com as demais carreiras, com a magistratura, com o Ministério Público, então tem uma remuneração muito boa, certamente você vai viver muito bem.

Em julho de 2023, comentando o edital de uma Defensoria estadual bem remunerada, a professora Michelle Tonon deu a ordem de grandeza: subsídio na casa dos 30 mil reais.

São duas declarações datadas e nominadas, não a tabela vigente. O valor de hoje, por órgão, sai da tabela de subsídio e do edital de cada Defensoria, e a gente não republica cifra que não pode conferir. Progressão na carreira e verbas indenizatórias também não entram aqui: quem define é a lei orgânica de cada Defensoria.

O que muda a conta tanto quanto o número é a lotação.

Então as lotações melhores são preenchidas de acordo com o critério de antiguidade. Então se você vai fazer concurso para um estado grande, você tem que estar ciente de que você no início da sua carreira, muito possivelmente você vai trabalhar no interior, às vezes numa comarca distante da capital, fazendo o que a professora chama carinhosamente de clínica geral: um ou dois defensores numa cidade pequena, atuando no cível, no criminal, no júri e na execução. Depois vêm os concursos de remoção interna, que abrem caminho para comarcas maiores, com áreas especializadas, ou para a capital.

Antes de escolher onde prestar, essa parte da conta pesa tanto quanto o subsídio.

O que muda de uma Defensoria para outra?

Entre uma Defensoria e outra mudam quatro coisas concretas, e nenhuma delas é o programa de estudo.

EixoComo variaOnde a gente observou
Momento em que os três anos de atividade jurídica são cobradosHá órgão que confere na posse e entrada em exercício; há órgão que confere antes da inscrição definitiva, que antecede a prova oralMichelle Tonon, nas aulas de análise de edital de jul/2023 e ago/2023
Quem elabora a provaBanca própria da própria Defensoria em uns; organizadora contratada elaborando em outros — a operação fica com empresa contratada nos dois casosMichelle Tonon, nas aulas de análise de edital de dez/2022 e ago/2023
Prova de tribunaAlguns órgãos aplicam, simulando sustentação no Tribunal do Júri; outros ficam nas três fases eliminatórias sem elaMichelle Tonon, na live de dúvidas de mar/2023 e na aula de análise de edital de dez/2022
Extensão do territórioEstado grande empurra a lotação inicial para o interior e alonga o caminho até a capital; estado pequeno encurta o deslocamentoMichelle Tonon, na aula de análise de edital de jul/2023 e na live de dúvidas de mar/2023

O primeiro eixo é o que mais decide se você consegue se inscrever agora. O segundo muda o treino de peça, e o terceiro diz se você vai precisar treinar sustentação oral. O quarto decide como vão ser os seus primeiros anos de carreira.

Onde cada eixo cai em cada Defensoria está no edital e no regulamento do órgão, a gente não carrega esse mapa porque ele muda a cada edição.

Para ver isso aplicado a um órgão, vá para a página da DPE-SP ou a da DPU.

Como estudar para Defensoria?

Preparação para Defensoria se apoia em quatro pilares, e o terceiro é o que mais gente pula:

  1. Videoaula, para construir a base e entender o encadeamento das matérias.
  2. Material escrito, resumo sistematizado, roteiro de leitura, lei seca.
  3. Resolução de questões, o pilar que separa quem estuda de quem treina.
  4. Jurisprudência e informativos, o que os tribunais decidiram e o que a banca vai cobrar.

Sobre o terceiro, a professora Michelle Tonon usa uma analogia que resolve a discussão. A gente não pode ir para o jogo sem treinar, não é mesmo? Nenhum jogador, nenhum esportista de alto rendimento vai para a Copa do Mundo, para as Olimpíadas sem fazer muito. Muito treino antes, então você não pode chegar na prova sem antes ter resolvido muitas questões e questões semelhantes às que a sua banca examinadora, a banca examinadora do seu concurso costuma fazer.

O diagnóstico vem antes do cronograma.

Pegue as provas mais recentes de Defensoria e resolva simulando o dia da prova: tempo cronometrado, sem consulta. Veja onde o rendimento cai. É esse resultado, e não o seu palpite, que diz por onde começar.

O critério de correção do próprio estudo é a constância, não o pico, porque na prova objetiva você não pode apresentar discrepâncias muito grandes nos rendimentos nas matérias, você tem que manter ali uma constância, você não pode ir maravilhosamente bem em constitucional e administrativo e despencar em penal processo penal, porque não vai dar certo, você tem que ter uma estratégia de ter um conhecimento relativamente aprofundado.

E a base se constrói antes do edital sair, não depois. Então você está estudando, você se mantém firme para quando esse edital sair, você está na frente dos demais, para que você esteja realmente preparado. Quando o edital sai, ele lapida um estudo que já existe.

E uma honestidade sobre o tamanho da caminhada. Não é concurso para quem decidiu começar agora, e nós sabemos que os concursos estão aí vindo num nível elevadíssimo, então é preciso sim que você já esteja com uma base bem sedimentada e bem estruturada.

O resumo da professora, em março de 2023: o estudo para concurso é constância, disciplina e persistência.

Vídeo: análise de edital de Defensoria e calibragem do nível do concurso Assistir no YouTube

Análise de edital de Defensoria estadual, com a professora Michelle Tonon. Abrir no canal da CP Iuris.

Perguntas frequentes sobre concurso de Defensoria

Preciso ter três anos de advocacia para me inscrever na Defensoria?

Advocacia é uma das formas, não a única. Os três anos são de atividade jurídica, e o rol típico dos editais de Defensoria é bem mais largo: cargos, empregos e funções privativos de bacharel em direito; residência jurídica e estágio de pós-graduação certificado; magistério superior jurídico; conciliação, mediação e arbitragem; e serviço voluntário ou colaboração na própria Defensoria.

O rol que vale no seu caso é o do edital e do regulamento do órgão.

Estágio conta como atividade jurídica?

Depende de qual estágio. O da graduação não conta, porque a contagem dos três anos só começa na obtenção do grau de bacharel, ou seja, na colação de grau.

Já o estágio de pós-graduação na própria Defensoria conta como prática jurídica, e o mesmo vale para a pós-graduação devidamente certificada, a residência jurídica e a colaboração ou serviço voluntário na Defensoria.

O rol que vale no seu caso é o do edital do órgão, é lá que você confere.

Dá para se inscrever sem ter completado os três anos?

Em alguns órgãos sim, porque a comprovação é cobrada só na posse e entrada em exercício. Em outros ela vem antes, na inscrição definitiva que antecede a oral.

Como o certame costuma se estender por muitos meses, dá para completar o tempo ao longo dele. O momento exato está no edital do órgão.

Todo concurso de Defensoria tem prova de tribuna?

Não. A forma canônica são três fases eliminatórias, objetiva, discursiva com peça processual e oral, com a sindicância de vida pregressa entre as discursivas e a oral e a avaliação de títulos fechando o certame sem eliminar ninguém.

A tribuna, que simula uma sustentação no Tribunal do Júri, aparece em alguns órgãos e não em outros. É um dos eixos que mudam de Defensoria para Defensoria.

Qual banca organiza os concursos de Defensoria?

A pergunta tem duas respostas, e é por isso que ela confunde. Há certame em que a prova é elaborada pela própria Defensoria, com uma empresa contratada só para a operação, logística e aplicação.

Qual arranjo vale em cada edição está no edital daquele órgão. A gente não publica aqui qual empresa foi contratada em qual certame, porque isso muda a cada edital.

Estudar para Defensoria serve para magistratura e Ministério Público?

Serve, e bastante: o estudo de Defensoria é muito aproveitado para magistratura e para o Ministério Público.

O que não se aproveita é o núcleo próprio da instituição, princípios institucionais, direitos humanos, execução penal e criminologia, que precisa entrar como frente nova. Conciliar com Advocacia Pública é o caminho mais difícil.

Quanto tempo o concurso de Defensoria fica valendo?

O prazo de validade é de dois anos, prorrogável por mais dois.

Na prática é isso que dá fôlego a quem se inscreve sem ter os três anos de atividade jurídica completos. E é também o que faz um órgão já estar precisando de novos defensores quando um certame se encerra.

Com quem a gente escreve sobre Defensoria

Samer Agi
Cofundador da CP Iuris · ex-juiz do TJDFT · ex-juiz instrutor no STJ

Somos a CP Iuris, e quem assina esta página é o Samer Agi.

A credencial que sustenta o que a gente escreve aqui é de carreira, não de audiência. Ele foi delegado de polícia em Goiás, passou em 3º lugar aos 25 anos para juiz substituto do TJDFT e ficou cerca de oito anos na magistratura, incluindo uma passagem como juiz instrutor no STJ.

A escola existe desde 2015 e prepara para as carreiras jurídicas em todas as fases, da objetiva à prova oral.

E vale repetir o que esta página não carrega: data de inscrição, número de vagas, banca contratada, etapa corrente do certame e valor de subsídio saem do edital da própria Defensoria.