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Guia da carreira · Magistratura Federal

Concurso magistratura federal: como se entra na carreira

A magistratura federal se entra por um caminho só: o concurso de Juiz Federal Substituto, aberto por cada um dos seis Tribunais Regionais Federais que dividem o país.

6 Tribunais Regionais Federais
as regiões que dividem a Justiça Federal, e cada uma abre o próprio concurso
Vídeo: a carreira de juiz federal Assistir no YouTube

Semana do Universitário: a carreira de juiz federal, com o professor Ilan Presser. Abrir no canal da CP Iuris.

Quem desenha essa carreira é a Constituição, e a pergunta que abre tudo é sempre a mesma. Como é que a gente vê a competência da justiça comum? O que é federal é o que está no artigo 109 da Constituição. É desse recorte que sai a carreira inteira: a Justiça Federal julga o que envolve a União, a autarquia e a empresa pública federal, e não o A contra o B que ocupa a Justiça Estadual.

Reunimos num só lugar o que se repete em toda edição desse concurso: o que a Justiça Federal julga, o que separa a trilha federal da estadual, quem pode prestar, as fases, o que cai, como é a 2ª fase e quanto tempo a caminhada leva.

Data de inscrição, número de vagas, banca contratada, etapa corrente do certame e valor de subsídio vigente a gente não carrega aqui. Isso muda a cada edital e mora no site do próprio tribunal, é lá que se confere, sempre.

Para o detalhe de cada região, as páginas de TRF3, TRF4 e TRF6 abrem o que é de cada uma.

O que a Justiça Federal julga?

A competência da Justiça Federal está no art. 109 da Constituição, e ela funciona como gatilho: a competência da Justiça Federal é atraída quando nós tivermos um elemento de conexão do artigo 109, normalmente a presença da união ou alguma de suas entidades. Em volta desse núcleo entram os crimes contra organização do trabalho, como por exemplo trabalho escravo, contra o sistema financeiro e assim por diante, mais os crimes a bordo de navios e aeronaves e as causas de direitos indígenas.

Art. 109 da Constituição, a lista que fixa o que a Justiça Federal julga e define a carreira inteira.

Fora dessa lista, o processo é da Justiça Estadual, família, sucessões, Estatuto da Criança e do Adolescente, locação, consumidor.

O corte prático é mais simples que a lista. A Justiça Federal é o lugar do direito público: tributário, previdenciário, ambiental, licitações e agências reguladoras ocupam o dia. A estadual é, em regra, o A contra o B, um divórcio, um contrato que não foi cumprido, uma locação, o direito do consumidor, o cheque.

Para fixar o critério, uma pergunta resolve: qual autarquia que mais processos tem na justiça federal? INSS, que tem todo o direito previdenciário e assim por diante. É dele que vem o previdenciário inteiro.

O que é da Justiça Federal e o que fica na Justiça Estadual
O que é da Justiça FederalO que fica na Justiça Estadual
Causas em que a União, uma autarquia ou uma empresa pública federal são parte Causas entre particulares — o A contra o B, na regra geral
Crimes contra o sistema financeiro e contra a organização do trabalho Família e sucessões
Crimes a bordo de navios e aeronaves, e causas de direitos indígenas Estatuto da Criança e do Adolescente, locação e relação de consumo
O dia a dia publicista: tributário, previdenciário, ambiental, licitações e agências reguladoras O dia a dia com o particular dos dois lados do processo

Dentro da vara federal, o juizado especial concentra o previdenciário e é, junto com o criminal, o único núcleo em que audiência é rotina. Na execução fiscal e na cível, audiência é rara.

Juiz federal ou juiz estadual?

Entre juiz federal e juiz estadual mudam quatro coisas concretas, e nenhuma delas é o prestígio do cargo.

Muda o tipo de conflito. Na federal, então você acaba lidando muito mais com o direito público. Na justiça estadual, regra geral, o A contra o B. Tem um contrato A versus B. E aí há mais direito civil, mais direito penal nos crimes de uma pessoa contra a outra.

Muda a geografia de entrada. Já na carreira federal, a depender da região, você já começa numa cidade de porte médio, não existe justiça federal em cidade pequena. Do outro lado é o inverso: se você é aprovado para a magistratura estadual, uma das coisas que você precisa estar disposto é a conviver com uma caminhada de alguns anos pelo interior antes de chegar à capital.

Muda o volume. O grande volume de processos tramita na mão dos juízes estaduais. É verdade. É a magistratura estadual que dá conta de responder as demandas da sociedade. A federal carrega volume menor, com vocação publicista.

E muda o programa de estudo: a matéria da federal é mais específica, ela envolve para a prova mesmo e até para o exercício da função, alguns conhecimentos de umas matérias que não aparecem com tanta frequência na estadual, previdenciário, econômico, financeiro e internacional.

Juiz federal e juiz estadual, eixo por eixo
EixoJustiça FederalJustiça Estadual
Tipo de conflito Direito público: tributário, previdenciário, ambiental, licitações e agências reguladoras O A contra o B, na regra geral
Geografia da lotação inicial Cidade de porte médio já na entrada — não existe justiça federal em cidade pequena Interior por anos, e o caminho até a capital pode levar anos
Volume de processos Volume menor, com vocação publicista O grosso dos processos do país tramita aqui
Matérias exclusivas do programa Previdenciário, econômico, financeiro, internacional e ambiental somados ao núcleo comum ECA, eleitoral, família e sucessões fora do núcleo comum

Remoção, promoção e mudança de região ficam na seção sobre a vida de juiz federal. A assimetria entre as duas trilhas de estudo fica na seção do conteúdo programático.

Vídeo: juiz federal ou juiz estadual Assistir no YouTube

Semana do Universitário: a carreira de juiz federal e o que a separa da estadual. Abrir no canal da CP Iuris.

Quais são os seis TRFs?

A Justiça Federal se divide em seis regiões, e cada uma tem o seu Tribunal Regional Federal, que abre o próprio concurso.

As seis regiões da Justiça Federal e o território que cada uma abrange
RegiãoTerritório abrangido
1ª Região14 estados e cerca de 80% do território nacional, toda a Amazônia legal incluída — medida registrada no material da casa antes do desmembramento que criou a 6ª Região
2ª RegiãoRio de Janeiro e Espírito Santo
3ª RegiãoSão Paulo e Mato Grosso do Sul
4ª RegiãoSanta Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul
5ª RegiãoSeis estados do Nordeste, com sede em Recife
6ª RegiãoTerritório mineiro, desmembrado da 1ª Região para desafogar o tribunal que carregava sozinho o volume de Minas e da Bahia

A 1ª Região é a maior de todas. A medida que o material da casa registra, 14 estados da federação, praticamente 80% do território nacional, toda a Amazônia legal no âmbito da primeira região, é anterior ao desmembramento que criou a 6ª.

A 6ª saiu de dentro da 1ª, pelo território mineiro, com o argumento de desafogar o tribunal que carregava sozinho o volume de Minas e da Bahia.

Status do certame, número de vagas e etapa corrente de cada tribunal a gente não publica: isso está no edital do próprio TRF.

Aqui no site, TRF3, TRF4 e TRF6 têm página própria. TRF1, TRF2 e TRF5 você lê no site do próprio tribunal.

Quem pode prestar o concurso?

Para disputar vaga de juiz federal é bacharelado em Direito mais tempo de atividade jurídica: para ser juiz, como vocês bem sabem, nós precisamos de três anos. Some a habilitação prévia no ENAM e você tem a porta de entrada inteira:

  • Bacharelado em Direito, o requisito de base, conferido por diploma.
  • Três anos de atividade jurídica, o requisito que mais confunde quem está se formando, por causa do momento em que é cobrado.
  • Habilitação prévia no ENAM, condição que passou a valer com a Resolução CNJ nº 531/2023.
Requisito de entrada
3 anos de atividade jurídica
o requisito conferido na inscrição definitiva, não na preliminar
Os três anos não são conferidos na inscrição preliminar, e sim na inscrição definitiva, que costuma cair já no segundo ano do certame.

Ou seja: quem se forma agora não precisa esperar. Você pode fazer o concursinho ainda na faculdade, claro que não vai conseguir a inscrição definitiva, mas já vai ir lá como treineira, e chega à inscrição definitiva com os três anos completos.

A base normativa é o art. 93, I da Constituição somado à Resolução CNJ nº 75/2009.

O que conta como atividade jurídica, se estágio conta, se pós-graduação conta, se tempo de servidor conta, está na Resolução CNJ nº 75/2009 e no edital de cada tribunal, e é lá que você confere. A gente não fixa aqui o que só a norma e o edital definem.

O ENAM vale para os TRFs?

O ENAM não dá a vaga de juiz federal. Ele dá o direito de disputá-la.

Nenhum TRF abre as portas sem a aprovação prévia no exame. O ENAM foi instituído pela Resolução CNJ nº 531/2023, é aplicado pela FGV e vale como habilitação nacional.

Depois dele, cada tribunal continua aplicando as próprias fases, do jeito que sempre aplicou.

O que a habilitação faz
libera você para disputar o certame de qualquer TRF.
O que ela não faz
garantir vaga, dispensar fase ou substituir qualquer prova do tribunal.
Por quanto tempo vale
certificado de 2 anos, prorrogável por mais 2.
Esta página não responde como o peso da nota entra dentro do certame de cada TRF, nem o que acontece com quem já é magistrado e ingressou antes de o exame existir: não há fonte no material da casa para afirmar nem uma coisa nem outra.

Para o exame em si, o hub do ENAM aqui no site tem a página dedicada. Para o efeito dele no certame do seu tribunal, o edital do TRF é a fonte.

Quais são as fases do certame?

O concurso de juiz federal não é uma prova: é uma sequência. Do edital à posse, juiz federal leva até dois anos.

Prova objetiva a peneira de entrada.
Provas escritas: discursiva e sentença a etapa em que a resposta vai para o papel.
Inscrição definitiva o momento em que os requisitos são conferidos, e que costuma cair já no segundo ano do certame.
Prova oral a mesma exigência da discursiva, com a banca do outro lado da mesa.
Curso de formação o marco entre a aprovação e a lotação.
Entre o edital e a posse
Até 2 anos
a duração que o certame de juiz federal costuma consumir

A escalada entre as provas tem lógica própria, e ela é cumulativa. Na prova objetiva, não importa o que você lê, importa o que você extrai a partir daquilo que lê. Então, para a prova discursiva, nem só o que leu, nem só o que extraiu do que leu, mas o que expôs a partir do que extraiu do que leu. E na prova oral, nem só o que leu, nem só o que extraiu do que leu, nem só o que expôs a partir do que extraiu do que leu, mas também como você expôs, porque o nosso corpo fala.

A ordem exata das etapas, a avaliação de títulos e o peso de cada fase são fixados no edital de cada tribunal, e é lá que se confere. Cronograma, data de prova e etapa corrente de qualquer certame moram no mesmo lugar.

O que cai na prova federal?

O concurso de juiz federal é uma grande piscina rasa. Existe um vasto conteúdo programático e por força disso não há condições de se aprofundar muito em cada um dos temas.

Daí sai a inversão que muda o plano de estudo. O programa se lê em duas camadas:

  • As disciplinas de conteúdo extenso, constitucional, administrativo, civil, processo civil, penal e processo penal. São as tradicionais, e percorrê-las inteiras na reta final é muito difícil.
  • As disciplinas de programa curto, previdenciário, econômico, internacional e ambiental. São matérias específicas cujo conteúdo programático é muito menor que de processo civil, por exemplo, constitucional administrativa, as matérias mais tradicionais.
Programa curto
4 disciplinas de programa curto
previdenciário, econômico, internacional e ambiental, as que colocam o candidato na 2ª fase

A inversão está aí: essas matérias menores no concurso judicial acabam por ser aquelas que vão te colocar na segunda fase. Então, por exemplo, matérias com conteúdo programático menor acabam por ter mais custo-benefício em relação ao seu estudo previdenciário, econômico, internacional, ambiental.

Em ambiental o recorte é nomeável, e mostra como uma disciplina de programa curto se delimita. Não pode deixar de saber o Código Florestal, Distinção de APP Reserva Legal, Lei Complementar 140 de 2011, os arts. 1º a 13 da Política Nacional do Meio Ambiente e o art. 170 da Constituição.

O que cada região enfatiza muda conforme a vocação do território que ela julga: cada região, digamos assim, tem o seu DNA, tem demandas similares que se repetem, às vezes tem escritórios de advocacia no interior que mais atuam em determinada matéria. Então, isso vai criando um DNA dos tipos de demanda. Por isso perfil de prova por tribunal é assunto das páginas de TRF3, TRF4 e TRF6, não deste hub.

O edital federal é abrangente a ponto de servir de base para qualquer outro concurso jurídico, e a via é de mão única: quem estuda para federal consegue prestar a estadual, e o contrário é difícil. Porque o conteúdo programático da magistratura federal é tão vasto que ele acaba por abarcar praticamente toda a justiça estadual. O que não abarcou é a lei seca do ECA e dê uma lida em eleitoral na parte da constituição, na parte de direito eleitoral que está na constituição e família e sucessões é praticamente abandonado.

Percentual de incidência e peso por disciplina esta página não traz. São dado de edição, fixados a cada certame, e ficam no edital do tribunal para o qual você vai prestar.
Vídeo: o que cai na prova de magistratura federal Assistir no YouTube

Pergunte ao Coordenador: dúvidas sobre concursos de magistratura federal e MPF. Abrir no canal da CP Iuris.

Como é a discursiva e a sentença?

A 2ª fase federal é a etapa em que o chute acaba: segunda fase não tem chute, segunda fase tem conhecimento, então não adianta, uma prova objetiva é muito diferente de uma prova subjetiva.

Ela pede duas coisas diferentes: um bloco de questões discursivas e um bloco de sentenças, cível e criminal.

O material da casa calibra a preparação pelo padrão de cobrança da FGV, e o motivo é o formato: pelo padrão da banca, que trabalha muito com situações hipotéticas, então não é o padrão da FGV a gente analisar questões abertas. Daí a recomendação de resolver as provas anteriores da própria banca. Qual banca foi contratada para a edição corrente é dado de edital, e esta página não carrega.

Na sentença criminal, o que separa nota é a dosimetria feita crime a crime, com individualização de conduta réu a réu, e para você chegar numa segunda fase e você não saber fazer uma dosimetria de pena, isso é caótico.

Na cível, o que separa nota é a sequência em que as preliminares são enfrentadas: como que um candidato vai analisar da ilegitimidade antes da incompetência, porque se ele reconhece que ele é incompetente, ele não pode alegar, ele não pode analisar a ilegitimidade da parte.

E a lei não resolve isso sozinha. Está na lei quais são as matérias preliminares, mas com a prática e com a construção de um raciocínio lógico, você começa a identificar que há sim uma ordem a ser seguida, uma ordem lógica, não uma ordem legal.

Há ainda o que a estadual não cobra: aqui a gente tem um diferencial com a magistratura estadual que é o previdenciário.

E se perde ponto por duas coisas que quase ninguém treina:

Letra que o corretor não consegue ler.
Se ele entender a letra, ele vai corrigir. Se ele não entender a letra, ele não vai corrigir. Isso é uma coisa que poucos atentam.
Resposta que fica conceituando em vez de resolver a questão.
Não é para ficar conceituando. O examinador não quer saber se você sabe conceituar. O examinador quer saber se você sabe responder a questão. Faz o conceito em uma, duas linhas e acabou.
Essa etapa só se treina de um jeito: escrevendo a peça inteira e confrontando o próprio texto com o espelho de correção. Então, é treinamento, não adianta, não adianta você querer chegar lá na hora e falar, vou me virar, porque não vai. É a prova onde o concurso se decide.
Quantidade de questões, desenho de edital, ordinal de concurso e resultado de qualquer certame ficam fora desta página.

Como é a vida de juiz federal?

A rotina do juiz federal de primeiro grau é gestão de acervo e de pessoas: a carreira da magistratura hoje está muito voltada também para a gestão de pessoas em processo. Não é mais o juiz oráculo, aquela pessoa distante da coletividade em que atua, que fica encastelado em seu gabinete e tira a solução jurídica da cartola.

A lotação inicial cai numa subseção do interior, e não numa comarca. O juiz federal tem lotação: ele pode mudar, pode mudar a partir de remoção, mas a lotação é fixa.

Dentro da vara, o trabalho se organiza em núcleos de secretaria. E aí, no interior, vocês vão ter assim, lá na secretaria, um núcleo de execução fiscal. Claro que cada juiz pode organizar da melhor forma.

Execução fiscal
volume alto de entrada, e execução fiscal não tem praticamente audiência.
Cível
o civil na justiça federal vai abranger direito ambiental, direito concorrencial, licitações, contratos administrativos, matéria de servidor público, ou seja, é uma competência bem alargada, mas não tem tantas demandas e não tem tanta audiência também.
Penal
onde a audiência é rotina, do interrogatório à oitiva de testemunhas.
Juizado
concentra o previdenciário, e é o outro núcleo em que audiência é rotina: juizado faz audiência, principalmente quando tem demanda de segurado especial.

Carga horária fixa não existe. É muito variado de acordo com cada juiz federal, como ele trabalha e com a realidade do acervo das metas da região. É muito difícil colocar isso porque a lógica é um controle finalístico de acervo, não de relógio. Essa questão do processo eletrônico, embora ela não diminua tanto a necessidade de juízes, ela diminuiria um pouco de servidores de secretaria que serão realocados aí em assessoria.

E sobre teletrabalho: já temos ele regulamentado para servidor, para juiz ainda não.

O detalhe que quase nenhuma página conta: no gabinete ninguém escreve sentença do zero. Nenhum juiz na vida faz isso. Todo mundo tem uma estrutura, já todo mundo tem um banco de sentenças. E é por isso que se você treinar e você souber aquela estrutura para aquela sentença, você vai usar isso para todas as outras.

Vitaliciamento, quarentena de entrada e de saída e o rol de vedações constitucionais são matéria de norma, e esta página não os desenvolve.

Quanto ganha um juiz federal?

A remuneração da magistratura federal é subsídio: valor fixado em lei, publicado em tabela oficial e escalonado ao longo da carreira, do juiz federal substituto ao desembargador.

Esta página não carrega esse valor. A gente não publica número de remuneração sem fonte que o leitor possa conferir linha a linha.

O que dura, e não muda a cada edital, é a estrutura:

  • Subsídio fixado em lei, publicado em tabela oficial do tribunal.
  • Escalonamento da carreira, do substituto ao desembargador.
  • Auxílios definidos por ato do tribunal, que entram por cima do subsídio.
O lugar certo de ler o valor vigente é a tabela oficial do próprio tribunal e o edital do certame, que é onde também estão os auxílios.

Sem edital na mão, dá para dizer o contrapeso, porque a pergunta chega sempre no mesmo formato. O que ganha o juiz federal quando entra na carreira? Já ganha um motorista com carro? Não: quem entra na magistratura federal recebe um computador e um acesso ao sistema processual eletrônico.

E a remuneração não é o critério que decide a escolha para todo mundo. Há quem tenha optado pela magistratura federal tendo em mãos aprovação em carreira que pagava mais.

Quanto tempo leva até passar?

Aprovação em magistratura federal não é projeto de curto prazo. Seis meses a um ano não funciona, e a régua honesta de médio prazo é de dois a cinco anos.

Preparação
2 a 5 anos
a régua honesta de médio prazo até a aprovação em magistratura federal

O jeito de encarar o prazo já foi dito melhor em sala: vocês vão entrar em uma maratona, não é uma corrida de 100 metros rasos.

E há uma coisa que ninguém avisa na largada: que a derrota é a regra no concurso público. Reprovar é a regra. Isso não é o sinal de que a caminhada acabou, numa das trajetórias que o material da casa documenta em detalhe foram 77 concursos prestados, 69 reprovações e 8 aprovações, todas concentradas no fim.

O desenho do estudo muda conforme a distância do edital:

Sem base nenhuma
curso regular, e agora vão demandar praticamente um ano de trabalho inicial para poder fazer a prova.
Com base
reta final, colada ao edital do tribunal alvo.
Sem prova marcada
revisão concentrada e recorrente, com o conteúdo novo seguindo em paralelo.
Na véspera
vocês vão ler e reler aquilo que já sabem para não deixar de saber, súmulas e lei seca, sem inventar doutrina nova.
Dois cenários de preparação para magistratura federal
Item do planoQuem começa do zeroQuem já tem base
Por onde começar Curso regular, com cerca de um ano de trabalho inicial antes de qualquer reta final Reta final, colada ao edital do tribunal alvo
Peso entre cognição e revisão Mais cognição no começo da caminhada, com o conteúdo novo ainda entrando Mais revisão conforme a prova se aproxima, com a cognição já consolidada
O que fazer sem prova marcada Revisão semanal concentrada, mantendo o conteúdo novo em andamento Revisão semanal concentrada, e súmulas com lei seca na véspera

O peso entre cognição e revisão não é fixo, e a fórmula é simples. Quanto mais iniciante você é, mais tempo de cognição você vai dedicar e menos de revisão. Conforme a bagagem cresce, a conta inverte: reduzir um pouco o percentual da carga horária de cognição e aumentar um pouco o percentual da carga horária de revisões.

Quem ainda está na faculdade começa pelos quatro pilares: provas anteriores, jurisprudência, súmulas e lei seca. Quanto antes vocês puderem refletir sobre isso, sobre o que será exigido de vocês, tanto melhor, porque terão mais tempo para se autoconhecer.

Vídeo: quanto tempo leva a preparação para magistratura federal Assistir no YouTube

Semana do Universitário: a carreira de juiz federal, com o professor Charles Giacomini. Abrir no canal da CP Iuris.

A toga federal começa com um plano. E com quem já passou.

É esse desenho de estudo que a gente acompanha de perto dentro do CP Iuris: a trilha é montada a partir do seu perfil pelo método CPA, e a preparação cobre todas as fases, até a prova oral.

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Perguntas frequentes sobre concurso de magistratura federal

Quem pode prestar o concurso para juiz federal?

Bacharelado em Direito e três anos de atividade jurídica, somados à habilitação prévia no ENAM.

O detalhe que muda a resposta de quem está se formando é o momento da conferência: o tempo é aferido na inscrição definitiva, que costuma cair já no segundo ano do certame. Por isso vale prestar como treineiro antes de completar os três anos.

O que conta como atividade jurídica está na Resolução CNJ nº 75/2009 e no edital de cada tribunal.

Quantas regiões da Justiça Federal existem e o que cada uma abrange?

São seis, cada uma com o seu Tribunal Regional Federal.

A 2ª Região é Rio de Janeiro e Espírito Santo; a 3ª Região, São Paulo e Mato Grosso do Sul; a 4ª Região, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul; a 5ª Região reúne seis estados do Nordeste, com sede em Recife.

A 1ª é a maior, descrita no material da casa com 14 estados e cerca de 80% do território nacional, medida antes do desmembramento que criou a 6ª Região, hoje o tribunal mineiro. Aqui no site, TRF3, TRF4 e TRF6 têm página própria.

O ENAM garante vaga de juiz federal?

Não. O ENAM habilita, não aprova: nenhum TRF abre as portas sem a aprovação prévia no exame, e depois dele cada tribunal continua aplicando as próprias fases.

O exame foi instituído pela Resolução CNJ nº 531/2023, e o certificado vale 2 anos, prorrogável por mais 2.

Como a nota pesa dentro do certame de cada tribunal esta página não afirma, não há fonte no material da casa para isso, e a resposta está no edital do TRF.

Qual a diferença entre juiz federal e juiz estadual?

A Justiça Federal é o lugar do direito público, tributário, previdenciário, ambiental, licitações, agências reguladoras, enquanto a estadual julga, em regra, o A contra o B.

Na entrada, a carreira federal costuma lotar numa cidade de porte médio, porque não existe justiça federal em cidade pequena.

E o volume é bem diferente: o grosso dos processos do país tramita na mão dos juízes estaduais.

Dá para estudar para magistratura federal e estadual ao mesmo tempo?

Dá, e numa direção só. Quem estuda para federal consegue prestar a estadual; o contrário é difícil, porque previdenciário, econômico e financeiro não aparecem na estadual.

O conteúdo programático federal é tão vasto que abarca quase toda a estadual, com quatro exceções nomeadas: lei seca do ECA, eleitoral, família e sucessões.

Quem já é magistrado estadual não recomeça do zero: reaproveita o núcleo comum e acrescenta as matérias exclusivas da trilha federal.

O que mais derruba candidato na 2ª fase federal?

Quatro coisas, e nenhuma delas é falta de doutrina.

Duas são de técnica de sentença: na criminal, errar a dosimetria por não individualizar a conduta réu a réu; na cível, enfrentar as preliminares fora da ordem lógica, que não é a ordem legal, e sim a que o raciocínio impõe.

As outras duas são de execução, e quase ninguém treina: letra que o corretor não consegue ler, e nesse caso ele não corrige, e resposta que fica conceituando em vez de resolver a questão.

Quanto tempo leva para passar em juiz federal?

A régua honesta é de médio prazo: dois a cinco anos de preparação, porque seis meses a um ano não funciona.

O certame em si consome até dois anos entre o edital e a posse.

E a reprovação faz parte do caminho: numa das trajetórias que o material da casa documenta foram 77 concursos prestados, 69 reprovações e 8 aprovações, todas concentradas no fim.

Com quem a gente escreve sobre magistratura federal

Samer Agi
Cofundador da CP Iuris · ex-juiz do TJDFT · ex-juiz instrutor no STJ

Somos a CP Iuris, escola de preparação para as carreiras jurídicas fundada em 2015, em Brasília.

Quem assina esta pillar é Samer Agi, cofundador da escola: aprovado em 3º lugar aos 25 anos no concurso para juiz substituto do TJDFT, com posse em 2013, cerca de oito anos de magistratura e passagem como juiz instrutor no STJ.

É essa travessia, a prova do lado de fora e a cadeira do lado de dentro, que organiza o que a gente escreve sobre magistratura federal.

A régua é sempre a mesma: a gente não publica o edital, a gente destrincha o edital. Aqui fica o que se repete em toda edição do concurso. Data de inscrição, número de vagas, banca contratada, etapa corrente e valor de subsídio saem do edital do próprio tribunal.