CP Iuris CP IURISCONCURSOS Ver cursos
Guia do Edital · ENAM

Edital do ENAM: como ler cada linha e sair na frente na preparação

O edital assusta na primeira leitura, mas dentro dele está o mapa da sua aprovação. Traduzimos o que importa e mostramos como virar cada regra em plano de estudo.

80
questões
70%
nota de corte
R$120
taxa de inscrição
2+2
anos de validade

Se você abriu o edital, bateu o olho em dezenas de páginas de regras e fechou o arquivo com aquela sensação de "depois eu leio com calma", saiba que acontece com quase todo mundo. Só que o edital não é burocracia para deixar de lado. Ele é a única fonte oficial que diz exatamente o que vai cair, quando cada etapa acontece e qual é a nota que habilita você.

A boa notícia é que, uma vez traduzido, o edital vira a sua melhor ferramenta de estudo. Nesta página a gente destrincha o documento na linguagem de quem já sentou para fazer a prova. Você vai ver quem pode se inscrever, o cronograma, a taxa, o formato da prova, o peso de cada disciplina, a nota que habilita e o que acontece depois. No caminho, mostramos como transformar cada regra em um plano de estudo que caiba na sua rotina.

Fique de olho: as datas abaixo são da última edição, o ENAM 2026.1 (Edital de Abertura nº 01/2026, banca FGV). O edital da próxima edição ainda não foi publicado. Assim que a FGV divulgar, esta página é atualizada no mesmo dia.

O que o edital do ENAM regula

O ENAM foi criado pelo Conselho Nacional de Justiça, pela Resolução nº 531/2023, com uma ideia simples de explicar e poderosa na prática: unificar o primeiro filtro de quem quer ser juiz no Brasil. Antes, cada tribunal cobrava o próprio nível de exigência logo na largada. A primeira prova aconteceu em 2024 e, de lá para cá, o exame já passou por várias edições, sempre aplicado pela FGV e válido para os concursos da magistratura estadual, federal, do trabalho e militar.

Guarde bem esta parte, porque é onde mais gente se confunde. O ENAM é uma prova de habilitação, de caráter eliminatório e não classificatório. Ele não aprova ninguém em concurso nenhum. O que ele faz é liberar a sua entrada. Quem alcança a nota mínima recebe um certificado e, com ele em mãos, pode se inscrever nos concursos dos tribunais, que seguem aplicando as próprias fases.

O ENAM não te dá a vaga. Ele te dá a chave da porta. Quem abre a porta e caminha até a toga é você, com preparação.

Quem pode fazer o ENAM

O edital exige uma coisa central para se inscrever: diploma de bacharel em Direito, ou a conclusão do curso até a data que o próprio edital marca. Sem o bacharelado dentro do prazo, a inscrição não se sustenta.

Aqui entra uma dúvida clássica, então vale separar com clareza. A Constituição pede três anos de atividade jurídica para quem quer tomar posse como juiz. Esse requisito é da carreira, conferido lá na frente, nas fases do tribunal e no momento da posse. Ele não é cobrado para você fazer o ENAM. Ou seja, dá para se habilitar no exame enquanto ainda soma o tempo de atividade jurídica que a magistratura vai exigir depois.

O edital comentado pelo Samer Agi

Antes de entrar nos números, vale ouvir quem já viveu a magistratura por dentro. Quando o edital do ENAM saiu, o professor Samer Agi, cofundador da CP Iuris e ex-juiz do TJDFT, sentou para comentar ponto a ponto o que muda para o candidato. Vale como um mapa rápido antes da leitura completa.

Capa do vídeo da CP Iuris: ENAM 2025.1, saiu o edital, com Samer Agi Assistir no YouTube

Saiu o edital do ENAM: os detalhes com Samer Agi. Abrir no canal da CP Iuris.

Cronograma da edição 2026.1

O edital traz o calendário oficial com todas as datas. Anotar esse cronograma logo no começo evita o erro mais bobo do concurseiro, que é descobrir a inscrição fechada no último dia. Foi assim que ficou o ciclo mais recente:

9 a 19 de março de 2026
Prazo para pedir isenção da taxa de inscrição.
9 de março a 9 de abril de 2026
Inscrições abertas no portal da FGV, até as 16h do último dia.
Dias antes da prova
Liberação do cartão de confirmação, com o seu local de prova.
7 de junho de 2026
Aplicação da prova objetiva, das 13h às 18h, simultânea em todas as capitais.

Repare que são cinco horas de prova numa única tarde. O exame cobra conhecimento e também resistência, porque a concentração cai junto com o cansaço. Quem treina simulado no mesmo horário da prova, com o mesmo tempo, chega no dia com o corpo já acostumado ao ritmo.

Inscrição, taxa e isenção

A inscrição acontece só pela internet, no portal oficial da FGV, dentro da janela prevista no edital. A taxa da última edição foi de R$ 120,00. O detalhe que custa caro para muita gente é o prazo da isenção, que abre antes das inscrições comuns e fecha rápido.

Quem pode pedir isenção da taxa?

O edital reserva a isenção para casos específicos, como candidatos inscritos no CadÚnico e doadores de medula óssea, entre outras hipóteses previstas em lei. Se você se encaixa, trate esse pedido como prioridade absoluta na primeira semana, porque perdeu o prazo da isenção, perdeu o benefício, e aí só resta pagar ou ficar de fora.

Como é a prova por dentro

Aqui está o coração do edital para quem estuda. A prova objetiva do ENAM tem 80 questões de múltipla escolha, cada uma com cinco alternativas de A a E e apenas uma correta. Todas valem o mesmo: um ponto por acerto, numa escala que vai de 0 a 80. Não existe questão que valha mais que a outra. O peso de verdade está em outro lugar.

Onde mora o peso da prova?

O peso está no número de questões de cada disciplina. Olhe a distribuição abaixo e você já sabe onde investir a maior parte das suas horas:

Direito Constitucional16
Direito Processual Civil12
Direito Civil12
Direito Penal12
Direito Administrativo10
Noções Gerais e Form. Humanística6
Direitos Humanos6
Direito Empresarial6

Some as cinco primeiras disciplinas e você tem 62 das 80 questões, quase 78% de toda a prova. A conta é direta: quem domina Constitucional, Processual Civil, Civil, Penal e Administrativo disputa a habilitação com folga. As outras três matérias não devem ser abandonadas, mas entram como reforço, não como prioridade.

O que cai em cada disciplina

Além do número de questões, o edital traz o conteúdo programático, que é a lista do que pode ser cobrado em cada matéria. Ler essa parte com calma vale ouro, porque separa o que realmente entra na prova daquilo que você acha que entra. Duas dicas práticas de quem corrige simulado todo ano:

  • Cole a jurisprudência nos temas quentes. A FGV gosta de entendimento atualizado do STF e do STJ, principalmente em Constitucional e Processual Civil.
  • Estude pelas provas passadas. Já existem edições anteriores do ENAM disponíveis. Resolver essas questões mostra o estilo da banca e os assuntos que se repetem de um ano para o outro.

Nota de corte e habilitação

A nota que habilita já vem cravada no edital, sem depender de concorrência nem de sorte. Na ampla concorrência, você precisa acertar 56 das 80 questões, ou seja, 70% da prova. Para candidatos negros, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência, o mínimo é de 40 acertos, o equivalente a 50%.

Vale acompanhar: o CNJ chegou a discutir uma proposta para ajustar a nota de corte e ampliar o número de habilitados. Enquanto nada muda de forma oficial, estude mirando os 70%. Sobra segurança se a régua descer, e você não fica na mão se ela ficar como está.

O que vem depois do ENAM

Passar no ENAM é o começo, não o fim. Com o certificado na mão, o caminho até a toga continua assim:

  • Inscrição no tribunal. Você usa a habilitação para entrar nos concursos de TJ, TRF ou TRT que estiverem abertos.
  • Provas do concurso. Cada tribunal aplica as próprias fases, em geral prova escrita, sentença, prova oral e avaliação de títulos.
  • Posse. É aqui que entram os requisitos da carreira, como os três anos de atividade jurídica, conferidos antes de você vestir a toga.

Entender esse encadeamento muda a sua estratégia. O ENAM cobra base ampla e objetiva. As fases do tribunal cobram profundidade e escrita. Quem constrói uma boa base desde cedo chega inteiro nas duas frentes.

Validade do certificado

O certificado de habilitação vale por dois anos e pode ser prorrogado uma única vez, por igual período. Na prática, você ganha uma boa janela para usar a mesma habilitação em vários concursos de tribunais diferentes, sem refazer a prova nacional a cada edital que sai. É esse o espírito do exame: um filtro na entrada, várias portas depois dele.

Resultado final do concurso TJPR 2023: 40 dos 56 aprovados foram alunos da CP Iuris
Concurso da magistratura do TJPR, resultado final de 2023: 40 dos 56 aprovados estudaram na CP Iuris.

Como transformar o edital em plano de estudo

Ler o edital e não fazer nada com ele é desperdício. Faça o contrário. Comece listando as oito disciplinas na ordem de peso que você viu nas barras. Reserve a maior fatia da semana para as cinco primeiras e trate as outras em blocos menores e constantes. Depois, encaixe simulados no mesmo formato da prova, 80 questões e cinco horas, para medir onde você acerta e onde ainda escorrega.

Por último, transforme a nota de corte em meta de treino. Se a habilitação pede 56 acertos, treine para bater 64 nos simulados. Essa folga é o que separa quem passa raspando de quem passa tranquilo. No vídeo abaixo, o Samer resume como organizar a rotina de estudo para chegar firme na prova.

Capa do vídeo da CP Iuris: como estudar para a magistratura Assistir no YouTube

Como organizar os estudos para a magistratura e o ENAM. Ver o vídeo completo no canal da CP Iuris.

É exatamente esse desenho de estudo que a gente acompanha de perto dentro do CP Iuris, aula por aula, simulado por simulado, até o dia da prova. O edital dá o mapa. O método CPA anda com você por ele.

Depois da prova: gabarito, recursos e resultado

Terminada a prova, o ciclo ainda tem etapas que valem pontos. A FGV publica o gabarito preliminar, abre um prazo para recursos contra questões e só então divulga o gabarito definitivo e o resultado com os habilitados. Fique de olho nesses prazos, porque um bom recurso, bem fundamentado, já virou habilitação para muita gente que tinha ficado a um acerto da nota de corte.

Ler o edital é o começo. Passar é com a gente.

O método CPA monta o seu plano no peso exato de cada disciplina do ENAM, com professores que já sentaram na cadeira de juiz. Você estuda o que cai, na ordem certa, até a habilitação.

Conhecer a preparação para o ENAM ›

Perguntas frequentes sobre o edital

Quem pode fazer o ENAM?

Pode se inscrever quem tem diploma de bacharel em Direito ou vai concluir o curso até a data prevista no edital. Os três anos de atividade jurídica são exigência da carreira de juiz, conferida nas fases do tribunal, não na inscrição do ENAM. Ver os requisitos.

Quantas questões tem a prova do ENAM?

São 80 questões de múltipla escolha, com cinco alternativas cada e apenas uma correta. Cada acerto vale um ponto, numa escala de 0 a 80. Ver a distribuição por disciplina.

Qual é a nota de corte do ENAM?

Na ampla concorrência é preciso acertar 56 das 80 questões, o equivalente a 70%. Para candidatos negros, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência, o mínimo é de 40 acertos, ou 50%. Entenda a habilitação.

Por quanto tempo vale o certificado?

A habilitação vale por dois anos e pode ser prorrogada uma única vez, por igual período. Ver detalhes da validade.

Passar no ENAM já é passar na magistratura?

Não. O ENAM apenas habilita você a se inscrever nos concursos da magistratura. Cada tribunal continua aplicando as próprias fases, como prova escrita, sentença e prova oral. Ver o que vem depois.

Fontes oficiais: Edital de Abertura nº 01/2026 do 5º ENAM (FGV Conhecimento) e Resolução CNJ nº 531/2023. Confira sempre o edital vigente no portal da FGV antes de tomar decisões sobre a sua inscrição.