Como funciona o concurso de delegado da PC-ES?
Duas delas, a prova discursiva e a avaliação de títulos, aparecem como inexistentes na ficha técnica de uma das páginas que ocupam esta busca. Essa ficha descreve outro cargo, não o de delegado.
Quem mira delegado precisa do recorte próprio: bacharelado em Direito, três anos de prática jurídica ou de atividade policial cobrados na posse, prova discursiva, peça prática, prova oral e avaliação de títulos.
A gente não republica o edital da vez. A gente destrincha o que se repete em toda edição e diz, item por item, o que esta página não carrega.
Vaga, data de inscrição, taxa, cronograma e banca contratada mudam a cada edital, e ficam com o edital publicado pelo próprio órgão.
O que dá para estudar hoje é a estrutura. É ela que esta página entrega, etapa por etapa, da prova objetiva ao curso de formação profissional.
O que faz um delegado de polícia?
A polícia civil existe para apurar autoria e materialidade, e o delegado é quem conduz essa apuração.
Muitos pensam que é algo extremamente operacional — a imprensa normalmente gosta muito do cargo de delegado de polícia, e a imagem que sobra é a de câmera e entrevista. A outra metade do cargo é administrativa, e é essa metade que quem exerce a função aponta como a parte mais difícil.
Eduardo Defaveri, delegado de polícia em Santa Catarina, apresentou a carreira na palestra de 22 de julho de 2021 e põe a rotina no lugar da imagem operacional:
todos os delegados dizem que o mais difícil de ser delegado é gerir uma delegacia. Cuidar do RH da unidade, fazer autorizações, concessões, até hoje tem que fazer a avaliação dos meus policiais.
Gestão de pessoal, autorizações e concessões entram no pacote junto com a outra ponta do cargo: começar a dar o direcionamento daquilo que deve ser investigado.
Esse relato é de carreira de delegado em geral, contado do ponto de vista de Santa Catarina, e não o dia a dia da PC-ES.
Sobre o cargo de oficial investigador, e sobre qualquer comparação entre os dois cargos, esta página não afirma nada.
O recorte aqui é o cargo de delegado, e cada cargo do mesmo órgão tem edital, requisito e percurso próprios.
Quanto ganha um delegado da PC-ES?
Esta página não carrega a cifra do subsídio do delegado da PC-ES, e não vai estimá-la.
O valor muda por edital e por lei estadual, e o número que circula nesta busca é de outro cargo da mesma corporação.
O que se repete edição após edição é a composição: o edital traz uma série de situações em que o delegado vai auferir algumas gratificações. Então essa remuneração que é inicial pode aumentar e muito.
Na live de análise do edital da PC-ES, em 23 de março de 2019, o professor que conduziu a leitura enumera as nove:
Aumento da remuneração por promoção, por progressão, por serviço extraordinário, por indenização em escala operacional, indenização para aquisição de uniforme, gratificação de acúmulo de titularidade, gratificação de chefia, gratificação de função, bônus pecuniário
- Subsídio inicial: a base do cargo, que muda por edital e por lei estadual.
- Promoção
- Progressão
- Serviço extraordinário
- Indenização em escala operacional
- Indenização para aquisição de uniforme
- Gratificação de acúmulo de titularidade
- Gratificação de chefia
- Gratificação de função
- Bônus pecuniário
São nove linhas, e nenhuma delas vem com valor aqui: variam com a lotação e com a função.
A remuneração é uma remuneração variável pelo que narra o edital: uma base mais essas nove linhas, nunca um número só.
Quem pode se inscrever para delegado?
Bacharel em Direito com três anos de prática jurídica ou de atividade policial. O triênio só é cobrado na data da posse, não na inscrição.
Na live de análise do edital da PC-ES, em 23 de março de 2019, o professor que conduziu a leitura registra:
Prosseguindo, aqui neste concurso é exigida a prática jurídica ou a atividade policial. São três anos de prática jurídica. Só que esses três anos vão ser cobrados apenas na data da posse.
São dois caminhos, e qualquer um deles fecha o triênio. Prática forense é atividade privativa de bacharel em direito exercida após a conclusão do curso, é o que diz a lei — e estágio, via de regra não é considerada atividade jurídica, com variação de certame para certame.
- policial federal
- policial rodoviário federal
- policial ferroviário federal
- policial militar
- policial civil
- bombeiro militar
A conferência acontece na quinta etapa, a de avaliação de títulos: vai ser verificado se você preenche esses três anos. Mas tem que levar em conta a data da posse, e é por isso que quem ainda não completou os três anos pode prestar.
Quais documentos o órgão aceita como prova do triênio esta página não diz. Isso sai do edital publicado pelo próprio órgão.
Quais são as sete etapas do concurso?
São sete etapas, nesta ordem: prova objetiva, prova discursiva, TAF com exame psicotécnico e exame de sanidade física e mental, prova oral e, em quinto lugar, a avaliação de títulos, demonstração do cumprimento do triênio até a data da posse. Depois a sexta etapa que é a sindicância da vida pregressa e a sétima etapa que é o curso de formação profissional.
Entre elas correm duas réguas diferentes, e trocar uma pela outra desmonta o planejamento.
Na live de análise do edital da PC-ES, em 23 de março de 2019, o professor que conduziu a leitura lê a regra direto do documento:
Os candidatos que obtiverem na prova objetiva e na prova discursiva o mínimo de 50% da pontuação total em cada uma delas participarão da etapa subsequente do sertame, limitado em cinco vezes o número de vagas.
Para você passar da primeira fase para a segunda fase, basta que você tenha acertado 50% das provas. O cinco vezes o número de vagas é a outra régua: o corte classificatório que decide quem chega ao TAF.
Na tabela, as sete etapas na ordem, com o que cada uma cobra e onde esta página destrincha o assunto.
Onde a etapa existe no certame mas o desenho dela muda de edição para edição, a linha diz isso com todas as letras: índice de TAF, caráter eliminatório por etapa e data de aplicação não entram.
| Etapa (na ordem do certame) | Como a etapa funciona, e o que esta página não fixa | Onde esta página detalha |
|---|---|---|
| 1. Prova objetiva | Múltipla escolha de A a E, 120 questões, 5 horas de prova, das quais cerca de meia hora vai para o cartão-resposta; corte de 50% da pontuação total | Como é a prova objetiva de delegado? |
| 2. Prova discursiva | Três questões discursivas e uma peça prática, 120 pontos no total, dos quais 60 saem da peça; limites de 15 a 30 linhas na discursiva e 30 a 60 na peça; corte de 50% | O que decide a segunda fase? |
| 3. TAF, exame psicotécnico e exame de sanidade física e mental | Terceira etapa, e é nela que a régua deixa de ser nota e vira classificação: só avança quem estiver dentro de cinco vezes o número de vagas. Esta página não fixa índice, exercício nem faixa etária: isso muda por edição e sai do edital do próprio órgão | Onde conferir vagas, datas e cronograma? |
| 4. Prova oral | Quarta etapa. Esta página descreve como a prova oral costuma funcionar na carreira de delegado, a partir do relato de quem a prestou em Santa Catarina; a etapa consta da sequência lida do edital. Duração, sorteio de pontos e critério de nota no Espírito Santo esta página não fixa: ficam com o edital do próprio órgão | Como é a prova oral de delegado? |
| 5. Avaliação de títulos | É a etapa em que se demonstra o cumprimento do triênio até a data da posse | Quem pode se inscrever para delegado? |
| 6. Sindicância de vida pregressa | Sexta etapa, em que o órgão checa a vida pregressa do candidato. Esta página não detalha critério de exclusão, prazo nem preparação: nada disso se repete de forma estável entre edições, e sai do edital do próprio órgão | Onde conferir vagas, datas e cronograma? |
| 7. Curso de formação profissional | É etapa do concurso, e é parte do motivo de o percurso levar mais de um ano | Como funciona o concurso de delegado da PC-ES? |
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Leitura do edital da PC-ES na live de 23 de março de 2019: a moldura desta análise é a daquela data. Abrir no canal da CP Iuris.
Como é a prova objetiva de delegado?
A primeira fase é múltipla escolha de A a E, com 120 questões e 5 horas de prova.
Cinco alternativas mudam a conta do chute.
É assim que o professor que conduziu a leitura do edital da PC-ES, na live de 23 de março de 2019, apresenta o detalhe:
Cada questão da prova tem cinco alternativas, quer dizer, para piorar, porque às vezes as questões são de múltipla escolha, mas são de quatro alternativas, A, B, C, D. Nesse caso é A, B, C, D, E.
O tamanho da prova cobra ritmo, e é daí que sai a rotina de simulado. Vai ser importantíssimo que o candidato treine antes. Ele tem que conseguir fazer 120 questões em 4 horas e meia, já que ele vai precisar de meia hora para passar as respostas para o cartão de respostas.
Quem inverte as duas coisas treina no ritmo errado.
A divisão de questões por disciplina esta página não fixa: o peso por matéria muda de edital para edital.
O que decide a segunda fase?
A segunda fase vale tanto quanto a objetiva, e metade dela mora numa peça só.
Samer Agi, delegado de polícia em Goiás antes da magistratura e professor da CP Iuris, apresentou a 2ª fase da PC-ES na live de 19 de julho de 2019 e põe a conta na mesa:
A primeira fase vale os 120 pontos. Ok, perfeito, são 120 pontos. Só que a segunda fase também vale 120 pontos. E só a peça vale 60 pontos.
São 60 dos 120 pontos numa única peça prática, ao lado de três questões discursivas. Na segunda fase, o concurso é outro.
Os limites formais fecham o desenho:
Somados, os quatro dizem a mesma coisa. Você não pode perder pontos em português e não pode perder pontos em aspectos formais. É por isso que a segunda fase reembaralha a classificação.
Quais peças práticas caem para delegado?
Cinco peças cobrem o repertório que o certame de delegado da PC-ES cobra:
O buraco aparece cedo: às vezes o sujeito sabe tudo numa primeira fase, mas nunca fez uma peça prática de delegado.
Samer Agi, delegado de polícia em Goiás antes da magistratura e professor da CP Iuris, fecha o ponto na live de 19 de julho de 2019:
Não adianta você pegar um livro de peças práticas de delegado e ler o livro inteiro. Se você não fizer a peça prática, você não saberá fazer a peça prática.
Como a peça vale 60 dos 120 pontos da fase, vale aqui o raciocínio da habilitação. Você não aprende a dirigir lendo o livro do Detran. Treinar as cinco de caneta na mão vale mais do que ler sobre elas.
Como é a prova oral de delegado?
A prova oral é a quarta etapa do concurso de delegado da PC-ES. O que esta página descreve da etapa é relato de carreira de outro estado, não uma afirmação sobre o que a PC-ES cobra.
Quem descreve a etapa de dentro é Eduardo Defaveri, delegado de polícia em Santa Catarina, que contou como foi a própria prova oral na palestra de 22 de julho de 2021:
tentar não enrolar muito e ter que ser bem objetivo também trazer muito conteúdo e tem que ganhar simpatia dos examinadores
No mesmo encontro, Eduardo Defaveri resume o peso da etapa para quem senta ali: a prova oral é sempre um momento de provação, em que o candidato prova a si mesmo que não caiu de paraquedas.
O relato aponta objetividade, conteúdo e postura diante dos examinadores como cobrança recorrente da etapa na carreira.
Como estudar para o concurso de delegado?
A semana tem forma: de segunda a quinta, 2 horas de penal, 1 de processo penal e 1 de constitucional; peças práticas na sexta; simulado completo no sábado.
Samer Agi, delegado de polícia em Goiás antes da magistratura e professor da CP Iuris, explica a alocação maior em penal na live de 19 de julho de 2019:
Eu estudaria duas horas por dia de penal, uma hora de processo penal e uma hora de constitucional. Por que duas horas de penal? Porque penal é penal geral, penal especial e leis penais especiais.
A meta de treino é que você alcance nessa prova uma pontuação correspondente a 70 a 80% da pontuação máxima, acima do mínimo de aprovação.
E quem segue estudando para outros certames ao mesmo tempo divide o dia em 4 horas para este e 2 para o resto.
Em paralelo corre a lei seca linear, mecanismo que Eduardo Defaveri, delegado de polícia em Santa Catarina, ensinou na palestra de 22 de julho de 2021:
anota numa agenda que você estudou até o artigo 120 no código penal por exemplo aí no outro dia quando você for estudar direito penal de novo você vai partir do 121
Na discursiva, responda direto ao enunciado antes de discorrer, e apoie a resposta em lei, doutrina, jurisprudência e exemplo.
Dá para se preparar pela prova anterior?
Não dá. A banca muda de edição para edição, e o desenho da prova muda com ela.
Samer Agi, que apresentou a 2ª fase da PC-ES na live de 19 de julho de 2019, é direto:
Não dá para você ter por base o concurso anterior da Polícia e Espírito Santo, que foi outra banca, porque no concurso anterior a prova subjetiva foi no mesmo dia do objetivo.
Banca nova no cargo também não se lê pelo que ela faz em outros certames: organizar concurso de outra área não quer dizer que eles vão reproduzir o mesmo estilo no concurso de delegado. Nesse ponto ela é uma incógnita, como a live de análise do edital de 23 de março de 2019 já registrava.
No lugar do perfil entra o método:
Esta página não afirma quem organiza o certame, nem que estilo de questão esperar, nem qual é a pegadinha recorrente.
A banca é contratada edição a edição, e quem for a desta vez está no edital do próprio órgão.
Onde conferir vagas, datas e cronograma?
Dez dados que talvez você tenha vindo buscar não moram nesta página.
Nenhum deles se repete em toda edição do concurso de delegado da PC-ES, e é esse recorte que a página segue do começo ao fim.
O que esta página não carrega
- Quem organiza o certame e como essa banca cobra
- Qualquer coisa sobre o cargo de oficial investigador
- Link para o edital em PDF
- Índices mínimos do TAF
- Recursos e prazos
- Preparação para psicotécnico, investigação social e vida pregressa
- Conteúdo programático por tópico dentro de cada disciplina
- Taxa de nomeação e intervalo entre editais
- Subsídio atual, auxílio-alimentação e jornada
- Comparativo estruturado com PF, PRF e polícias civis de outros estados
O que existe no certame, mas pertence a uma edição só
- Número de vagas e cotas
- Período de inscrição e taxa
- Cronograma e datas de prova
Some a esses um quarto dado de edição: quais documentos o órgão aceita como prova do triênio.